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Dr. Matheus CarvalhoAdvogado Previdenciário · OAB/PI 13.783 WhatsApp

Artigo

BPC para criança com autismo: requisitos, documentos e motivos de negativa

O diagnóstico é o começo, não a garantia. O que o INSS avalia é o impacto do autismo na vida da criança e a renda da família.

Resposta rápida

A criança com autismo (TEA) é considerada pessoa com deficiência por lei e pode receber o BPC/LOAS, de um salário mínimo por mês, se a família tiver baixa renda (em regra, até 1/4 do salário mínimo por pessoa) e o CadÚnico estiver atualizado. O INSS faz perícia médica e avaliação social para verificar as limitações da criança no dia a dia.

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A criança autista tem direito ao BPC?

Sim. A Lei 12.764/2012 (Lei Berenice Piana) estabelece que a pessoa com Transtorno do Espectro Autista é pessoa com deficiência para todos os efeitos legais. Por isso, a criança autista pode receber o BPC, desde que preencha os demais requisitos.

O diagnóstico, sozinho, não basta. O INSS avalia, por meio de perícia médica e avaliação social, como o autismo afeta a comunicação, o comportamento, a autonomia, a aprendizagem e a convivência da criança, comparando com outras crianças da mesma idade.

A renda da família

A regra legal é a renda por pessoa de até 1/4 do salário mínimo, considerando quem mora na mesma casa: pais, irmãos solteiros e a própria criança. Mas a análise não é só matemática:

  • Gastos com terapias (fonoaudiologia, terapia ocupacional, psicologia), medicamentos, alimentação especial e transporte para tratamento podem ser considerados, principalmente na Justiça;
  • Muitas mães deixam de trabalhar para cuidar da criança. Isso reduz a renda da família e deve estar refletido no CadÚnico.

Documentos que fazem diferença

  • Laudo médico (neurologista ou psiquiatra) com o diagnóstico, o CID, o nível de suporte e, principalmente, a descrição das limitações;
  • Relatórios dos terapeutas (fono, TO, psicólogo) com a frequência das sessões e a evolução;
  • Relatório da escola sobre comportamento, aprendizagem e necessidade de apoio (mediador, sala de recursos);
  • Comprovantes de gastos com tratamento não oferecido pelo SUS;
  • CadÚnico atualizado nos últimos 2 anos, com todos os moradores da casa e CPF de cada um.

Por que o INSS nega o BPC para criança autista

  1. Renda acima do limite, muitas vezes por erro ou desatualização do CadÚnico;
  2. Avaliação de "impedimento leve", quando os laudos citam apenas o CID e não descrevem as dificuldades diárias;
  3. Falta de documentos de terapias e da escola;
  4. Exigências não cumpridas no prazo.

Uma negativa pode ser revertida com recurso ou ação na Justiça Federal, onde a perícia e a avaliação social são refeitas. Veja também a página completa sobre o BPC/LOAS e o artigo INSS negou meu benefício: o que fazer.

Perguntas frequentes

Todo autista tem direito ao BPC?

Não automaticamente. É preciso que o autismo cause limitações de longo prazo, comprovadas na perícia e na avaliação social, e que a família tenha baixa renda e esteja no CadÚnico.

A mãe que trabalha perde o BPC do filho autista?

Não necessariamente. O salário entra no cálculo da renda familiar, mas os gastos com o tratamento e a situação concreta da família também podem ser considerados, especialmente na Justiça.

Qual o valor do BPC para criança autista?

Um salário mínimo por mês. O BPC não paga 13º e não gera pensão por morte.

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