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BPC para criança com autismo: requisitos, documentos e motivos de negativa
O diagnóstico é o começo, não a garantia. O que o INSS avalia é o impacto do autismo na vida da criança e a renda da família.
Resposta rápida
A criança com autismo (TEA) é considerada pessoa com deficiência por lei e pode receber o BPC/LOAS, de um salário mínimo por mês, se a família tiver baixa renda (em regra, até 1/4 do salário mínimo por pessoa) e o CadÚnico estiver atualizado. O INSS faz perícia médica e avaliação social para verificar as limitações da criança no dia a dia.
A criança autista tem direito ao BPC?
Sim. A Lei 12.764/2012 (Lei Berenice Piana) estabelece que a pessoa com Transtorno do Espectro Autista é pessoa com deficiência para todos os efeitos legais. Por isso, a criança autista pode receber o BPC, desde que preencha os demais requisitos.
O diagnóstico, sozinho, não basta. O INSS avalia, por meio de perícia médica e avaliação social, como o autismo afeta a comunicação, o comportamento, a autonomia, a aprendizagem e a convivência da criança, comparando com outras crianças da mesma idade.
A renda da família
A regra legal é a renda por pessoa de até 1/4 do salário mínimo, considerando quem mora na mesma casa: pais, irmãos solteiros e a própria criança. Mas a análise não é só matemática:
- Gastos com terapias (fonoaudiologia, terapia ocupacional, psicologia), medicamentos, alimentação especial e transporte para tratamento podem ser considerados, principalmente na Justiça;
- Muitas mães deixam de trabalhar para cuidar da criança. Isso reduz a renda da família e deve estar refletido no CadÚnico.
Documentos que fazem diferença
- Laudo médico (neurologista ou psiquiatra) com o diagnóstico, o CID, o nível de suporte e, principalmente, a descrição das limitações;
- Relatórios dos terapeutas (fono, TO, psicólogo) com a frequência das sessões e a evolução;
- Relatório da escola sobre comportamento, aprendizagem e necessidade de apoio (mediador, sala de recursos);
- Comprovantes de gastos com tratamento não oferecido pelo SUS;
- CadÚnico atualizado nos últimos 2 anos, com todos os moradores da casa e CPF de cada um.
Por que o INSS nega o BPC para criança autista
- Renda acima do limite, muitas vezes por erro ou desatualização do CadÚnico;
- Avaliação de "impedimento leve", quando os laudos citam apenas o CID e não descrevem as dificuldades diárias;
- Falta de documentos de terapias e da escola;
- Exigências não cumpridas no prazo.
Uma negativa pode ser revertida com recurso ou ação na Justiça Federal, onde a perícia e a avaliação social são refeitas. Veja também a página completa sobre o BPC/LOAS e o artigo INSS negou meu benefício: o que fazer.
Perguntas frequentes
Todo autista tem direito ao BPC?
Não automaticamente. É preciso que o autismo cause limitações de longo prazo, comprovadas na perícia e na avaliação social, e que a família tenha baixa renda e esteja no CadÚnico.
A mãe que trabalha perde o BPC do filho autista?
Não necessariamente. O salário entra no cálculo da renda familiar, mas os gastos com o tratamento e a situação concreta da família também podem ser considerados, especialmente na Justiça.
Qual o valor do BPC para criança autista?
Um salário mínimo por mês. O BPC não paga 13º e não gera pensão por morte.
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